Trabalha

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Trabalha o preto, ao descanso do branco. Trabalha o pobre, ao descanso do rico. Trabalham tantos ao descanso de outros. Trabalham horas e horas, sem receber quase nada. Trabalham sem que saibam direito o que fazem ali. Trabalham sem ouvir um "obrigado", sem ouvir um "bom dia" pela manhã. Se esforçam por outros, se entregam. Entregam as forças nas mãos de outros, que lhes tiram tudo, lhes transformam em escravos do trabalho, nesse cruel ciclo de trabalhar para nada receber.

Enquanto trabalha o homem num luxuoso condomínio, seu patrão está em casa, apenas "curtindo". E, quando vê crianças brincando e estudando, lembra de seus filhos que não podem ir à escola, porque estão a trabalhar, para ajudar a família nas despesas de casa.

É triste ver que praticamos um canibalismo, que na verdade não é carnal (corporal), mas sim espiritual e psicológico. O homem explora o homem, até que se esgotem suas forças físicas, mentais e espirituais.

Trabalham todos os que não podem esperar um milagre. Trabalham todos que precisam de sustendo, que têm filhos e filhas esperando por migalhas em casa. Trabalham não porque querem fazer força, trabalham porque têm necessidades e porque, talvez, não tiveram as mesmas chances do patrão (explorador).

Se não trabalham, roubam. Vadiam as cidades, roubando e matando, por inconformismo, por ser um oprimido, por ser alguém sofrido. Roubam para não ter que trabalhar. Roubam porque não há quem os queira contratar, não há quem os quita reeducar. 
A natureza humana se radicalizou e hoje baseia-se num grande ciclo de opressão e diversão. Oprimem e se divertem. Veem o sofrimento alheio com prazer, sem sequer imaginar a dor do próximo. Os que trabalham o fazem calados,temendo demissão. Os que oprimem o fazem vangloriados, adorando a humilhação.

Religiosos que dizem que "devemos amar o próximo como amamos a nós mesmos" oprimem e escravizam, tornam as desigualdades cada vez mais gritantes, absurdas... A opressão é universal. A opressão é o prazer do rico, que nada faz, a não ser assistir, com verdadeiro tesão ao sofrimento alheio.

O mal não deve ser aceito como algo normal da natureza humana. Não podemos deixar que haja trabalho de um ao descanso de outro. A igualdade é imprescindível para o homem (porém quase inalcançável). A desigualdade tornou-se maior motivo de chacota e prazer. Mas nem sempre o prazer de um é a felicidade do outro.

Leia sobre o Colunista, João Victor Idaló.