A Encruzilhada

A Encruzilhada Colunista Daniela Brito


"Aos olhos da maioria das pessoas, eu sou alguém que não tem posição na sociedade e que nunca vai ter - um Zé-ninguém, um excêntrico. Em resumo, a mais baixa das criaturas. Tudo bem, então. Mas mesmo que isso fosse verdade, eu deveria querer mostrar por meio do meu trabalho o que um excêntrico, um Zé-ninguém como eu, tem no coração." 

Vincent Van Gogh , em uma carta ao irmão Theo, em 1882.

Me considero uma pessoa curiosa e sempre busco ler e assistir novas coisas que possam me trazer conhecimento sobre as mais diversas áreas. Me lembro de que um dia aprendi algo que impactou muito minha forma de enxergar minha vida profissional. Assistindo uma palestra do Stefan Sagmeister , o artista e designer que trabalha em Nova York, define a diferença entre emprego, carreira e vocação. Eu nunca tinha pensado que essas coisas fossem diferentes.

EMPREGO = Algo que geralmente é feito das 9 horas às 18 horas em troca de pagamento.

CARREIRA = Um sistema de progressos e promoções ao longo do tempo, no qual recompensas são usadas para otimizar o comportamento.

VOCAÇÃO = Algo que nos sentimos impelidos a fazer independentemente de dinheiro ou fama. O próprio trabalho é a recompensa.

Comecei a pensar em qual dos três eu tinha. E faço a você a mesma pergunta:
O que você tem neste momento? Um emprego? Uma carreira? Ou uma vocação?

Outro questionamento parecido surgiu quando eu estava lendo sobre Arianna Huffington que escreveu a biografia de Pablo Picasso. Ela disse o seguinte:

Quanto mais eu descobria sobre a vida dele e mergulhada em sua arte mais as duas coisas convergiam. "O que conta não é o que um artista faz mas o que ele é ", disse Picasso. Mas sua arte era tão completamente autobiográfica que o que ele fazia era o que ele era.

Isso me levou a uma hipótese:

E se nosso emprego fosse a nossa carreira e a nossa vocação? E se quem nós somos e o que fazemos se transformasse na mesma coisa? E se o nosso trabalho fosse tão autobiográfico que seria impossível separar criador e criatura? Neste caso descrições de títulos e atribuições já não fazem mais sentido. Deixamos de ir trabalhar e passamos a ser o trabalho e ao invés de nos perguntarem "o que você faz?" perguntariam-nos "o que você é?".

HÁ DOIS CAMINHOS NA VIDA: O CAMINHO DA SEGURANÇA E O DE PAIXÃO. SEMPRE ENCONTRAMOS ESSA ENCRUZILHADA. E, TODOS OS DIAS FAZEMOS UMA ESCOLHA.

A Encruzilhada Colunista Daniela Brito

A segurança é a estrada que as outras pessoas querem que a gente escolha. É como esperam que a gente viva a nossa vida. Pense nas expectativas que as pessoas jogam em cima de nós, às vezes são coisas pequenas, aparentemente inofensivas, como "Você deveria ouvir aquela música..." em outras ocasiões são sistemas de pensamentos muito influentes que nos pressionam e nos obrigam a viver de um jeito diferente do que gostaríamos.

Quando escolhemos esse caminho, optamos por viver para alguém ou por algo - e não por nós mesmos. Na verdade essa é uma estrada bem cômoda; as recompensas podem parecer boas e as opções costumam ser variadas. Nascer, crescer, estudar, trabalhar, viver odiando a segunda e ansiando a sexta, pagar contas e morrer.

Paixão é diferente.

Chamo de paixão aquilo que nos move, são nossas convicções, nossos anseios. É aquilo que precisamos fazer para nos sentirmos completos e realizados. É o que toca mais fundo dentro de nós e é o que desejamos com toda a nossa alma. Ao contrário da segurança, a paixão não aceita meio-termos.
Escolhemos a paixão quando paramos de nos conformar com os ideais dos outros e começamos a nos conectar com os nossos próprios interesses. Isso nos permite cultivar nosso potencial como indivíduos. Isso requer trabalho duro e esforço constante. Principalmente se você deseja empreender na área de sua paixão. A propósito, acredito que sucesso é quando você constrói um império dentro do que você ama fazer e consegue conciliar sua paixão com o mercado constantemente modificado no mundo. Escolher a paixão não é viver em um mar de rosas sem espinhos, mas é amar tanto as rosas que suportar os espinhos se tornará algo fácil.
Escolher a paixão significa embarcar numa viagem sem mapas e nem garantias. Joseph Campbell chamou de "experiência de estarmos vivos, de modo que nossas experiências físicas ressoem no Interior do nosso ser, e que realmente sintamos o arrebatamento de estarmos vivos".

Escolher o caminho do que faz nosso coração bater mais forte a decisão mais importante que podemos tomar na vida.

Van Gogh seguiu sua paixão quando continuou a pintar telas e mais telas, embora o mundo rejeitasse sua arte. Durante a vida, não recebeu qualquer reconhecimento pela maior parte de sua obra. Isso pode ser difícil de compreender em nosso mundo hiperconectado, repleto de curtidas, comentários e seguidores. Como deve ser passar completamente em branco?

Porém a maior de todas as lições que o sucesso requer, seja no empreendedorismo ou em qualquer outra área de sua vida, é apenas uma.
Há dois caminhos na vida: o caminho da segurança e o da paixão. E todos os dias fazemos uma escolha entre o que o mundo espera de nós e o que nós queremos do mundo.

"Deixe-se ser silenciosamente levado pela estranha atração daquilo que você ama de verdade. Você não vai se perder." - Rumi , poeta.