Quanto vale a diversidade biológica e social do Cerrado?

Quanto vale a diversidade biológica e social do Cerrado?
Copyright Leonardo Rodrigues
O Cerrado é considerado o segundo maior bioma brasileiro, superado apenas pela Amazônia. Atualmente, ocupa uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional e sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. (MMA, 2015).

Por ser um bioma que guarda uma rica biodiversidade, recursos hídricos e monumentos naturais, o uso da terra sem controle ou zoneamento, causa sérios prejuízos aos recursos naturais desse bioma, considerado como um dos hotspots (área prioritária para conservação) internacionais - termo usado primeiramente pelo ecólogo inglês Norman Myers, em 1988.

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Do ponto de vista da diversidade biológica, segundo os dados mais recentes, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. E são descritascerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.

Da fauna possui várias espécies consideradas bandeiras como o Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Anta (Tapirus terrestris), Seriema (Cariama cristata), Pato-mergulhão (Mergus octosetaceus e a Arara-canindé - Ara araúna). Espécies aquelas que por serem carismáticas podem despertar na população a importância de sua conservação e consequentemente ao ecossistema ao seu redor, preservando também as menos carismáticas e não menos importantes.

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Mais de 220 espécies da flora têm uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).

Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social, pois muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. 

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Dai, vêm as perguntas:

Quanto vale o Pequi? Quanto vale o Lobo-guará? Quanto vale o Ipê? Quanto vale o Rio São Francisco? Quanto vale o Parque Nacional da Serra da Canastra? Quanto vale conservar os recursos naturais do cerrado?

Apesar de termos poucas pesquisas com relação a valoração ambiental e econômica do Cerrado e também por se tratar de uma abordagem “nova”, sua riqueza pode e deve ser mensurada em valores, sejam eles sociais, ambientais e econômicos, demonstrando que além dos seus aspectos naturais e ecológicos, sua importância deve ser estimada principalmente para trazer subsídios para a tomada de decisão com relação ao seu uso e desenvolvimento sustentável, assim como para o desenvolvimento de políticas publicas e estratégias que visem sua conservação.


Continua...

#Emissárioambiental

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